1924, A Revolução Esquecida 

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O espetáculo trouxe à tona a história real de refugiados em São Paulo  no movimento que durou 23 dias. 5 atores e 3 músicos reconstituíram momentos da revolta que atingiu mais de 700 mil pessoas, a maioria delas imigrantes. O grupo também ministrou oficina sobre Teatro Jornal.

 

Com direção de Márcio Boaro e co-direção de Andressa Ferrarezi, o elenco foi formado por Manuel Boucinhas, Maria Carolina Dressler, Mônica Raphael, Cristiano Tomiossi e Heitor Goldeflus. A trilha sonora foi executada ao vivo pelos músicos Flávio Rubens, Alexandre Moura e Samba Sam.

 

Durante a temporada a Cia Ocamorana também realizou uma Oficina de Teatro Jornal com Eduardo Campos Lima (jornalista e doutorando em Dramaturgia pela FFLCH/USP e Márcio Boaro.

O projeto foi contemplado pela 25ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

 

A montagem aborda uma história que apesar documentada, é pouquíssima conhecida. A peça trata do assunto por meio da ficção, mas também reconstitui alguns fatos reais. A trama se passa nos dias dos ataques. Imigrantes em uma grande cidade buscam uma nova vida, mas acabam em um pesadelo. “Procuramos suscitar no espectador um juízo crítico frente um acontecimento real, buscando narrar os fatos da forma mais próxima possível de como ocorreram. Registros e documentos históricos são usados no texto como fala ou argumentação das personagens”, explica o diretor Márcio Boaro.

 

A peça conta a saga de um grupo de pessoas que está abrigada no extinto Teatro Olympia (antigamente localizado no bairro do Brás), após ter suas casas destruídas. A situação se redimensiona em horror quando se descobre que foi do próprio governo a ordem para a chacina promovida contra o povo.

“A história desses refugiados representa as diferentes realidades vividas pela população de São Paulo na época. Como em um palco tudo cabe, aproveitamos desse teatro fictício cheio de refugiados para analisar um capítulo da história do Brasil e discutir a função do teatro.”

 

Revolta Paulista

A Cia Ocamorana, desde 1999, foca suas pesquisas no teatro épico, e mais recentemente também no teatro documentário. Ao se deparar com um dos capítulos menos conhecidos da história do nosso país o grupo vislumbrou potencial para tratar, não apenas dos fatos, mas também para falar sobre as relações humanas daquele momento.

 

“O nosso interesse inicial na temática estava relacionada ao apego, ao poder e até onde a classe dominante pode ir para mantê-lo. Somamos à isto a formação da classe média paulistana, acreditamos que a dita Revolução Esquecida é propositalmente escondida. É muito curioso que estes acontecimentos sejam pouco conhecidos, não fazem parte do currículo escolar e nem a população da própria cidade sabe da sua história. Para podermos entender a sociedade atual temos de entender sua história,” afirma Boaro.

 

Tudo começou no dia 5 de julho de 1924, quando tropas militares descontentes com os rumos da República Velha (os chamados tenentistas) tomaram a cidade com o intuito de iniciar uma revolta que destituiria o Governo Federal, na época uma ditadura feroz de Arthur Bernardes, representante da política oligárquica do “café-com-leite”. 

 

O conflito, embora tenha durado menos de um mês, deixou consequência tristes para cidade e não foram esquecidos pelos moradores mais antigos, porque bairros  operários como o da Mooca, Brás e Perdizes foram muito atingidos. São Paulo é a única cidade das Américas que foi bombardeada por aviões. Nos 23 dias que durou a ocupação, o número de mortes passou de 5 mil pessoas e só não foi maior porque cerca de 300 mil pessoas, metade da população, saíram da Capital.

 

O preconceito contra os migrantes e emigrantes pobres que constituíam a maioria da população foi determinante na decisão do presidente Artur Bernardes. “Pelo momento atual que vivemos, inclusive com a questão dos refugiados na Europa, acreditamos ser extremamente importante relembrar que a nossa população é composta por filhos e netos de refugiados, que vieram para cá como imigrantes”, completa Boaro.

 

Ficha Técnica:

Coordenação da Pesquisa, Dramaturgia e Direção: Márcio Boaro. Co-direção: Andressa Ferrarezzi. Colaborador: Eduardo Campos. Elenco: Manuel Boucinhas, Maria Carolina Dressler, Mônica Raphael, Cristiano Tomiossi, Heitor Goldeflus. Direção musical: Cristiano Tomiossi. Criação musical: Flávio Rubens, Alexandre Moura e Samba Sam. Preparação vocal: Érika Coracini. Preparação Corporal: Nei Gomes. Cenografia: Antônio Marciano. Produção: Mônica Raphael e Cristiano Tomiosi.

Criação de luz: Marcos Carreira. Técnico de luz: Felipe Carreira. Figurino:Mariana Moll. Design gráfico: Fernando Sato.

 

 

"Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?"  Bertolt Brecht

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