Brecht e Weiss: em busca de um teatro épico brasileiro

 

Ao longo de sua história, a Cia. Ocamorana tem procurado continuamente aprofundar suas pesquisas sobre teatro épico. Na dramaturgia, o foco contínuo na figuração de elementos da realidade social levou o grupo ao estudo do capitalismo brasileiro e da política revolucionária. Na encenação, o Ocamorana persegue uma cena dialética, livre de ilusionismo e fundada na problematização do gesto.

 

O teatrólogo alemão Bertolt Brecht deu régua e compasso para o trabalho do grupo desde seus primórdios. Com Brecht, o Ocamorana aprendeu a buscar em cada episódio uma contradição político-social fundamental, materializada na organização dos elementos cênicos e na interpretação coletiva dos atores e atrizes. Nada que se faz presente é casual – gestualidades, adereços, figurino, canções e luz têm todos, igualmente, a função de narrar.

 

Mas o Ocamorana buscou contar histórias reais e concretas, como a empreitada holandesa no Nordeste do Brasil colonial, a Revolução dos Cravos, o ascenso operário brasileiro e a Revolução Esquecida de 1924. Assim, tem baseado sua dramaturgia no documento histórico, construindo um tipo específico de teatro épico, o documentário – conforme a sistematização de outro alemão, Peter Weiss.

 

No lugar da ficção muitas vezes desgastada, o grupo tem preferido privilegiar o registro historiográfico e o relato pouco conhecido. O emprego de elementos históricos na dramaturgia é, via de regra, feito em chave de denúncia, de modo a apontar as vinculações entre o passado remoto e seus desdobramentos atuais. Na tentativa, o grupo busca evidenciar os fundamentos históricos do modo hegemônico de organização do mundo atual, sobretudo no Brasil.

"Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?"  Bertolt Brecht

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now